O poder transformador do sistema universitário norte-americano aliado às suas ligas esportivas

por Fernanda Luiz
sócia do Pelado Real Futebol Clube e responsável pelo programa My College Goal


 

Minha história com o esporte começou muito cedo, aos sete anos de idade. Nessa época, tudo ainda era brincadeira e eu não sabia distinguir a seriedade das aulas de tênis até começar a competir, aos nove anos. Natural de Belo Horizonte, eu entrei na equipe do Minas Tênis Clube e, a partir daí, a trajetória da minha vida se diferenciou bastante da maioria das meninas da minha idade.

Meu melhor momento no esporte aconteceu entre 14 e 16 anos, período em que fui convocada pela Confederação Brasileira de Tênis para representar o Brasil em campeonatos sul-americanos e mundiais.

Ao terminar o colégio, recebi uma proposta para estudar e jogar por uma universidade norte-americana. Mais um desafio que aceitei e, em 2007, me formei em Educação Física com especialização em Psicologia pela Old Dominion University, no estado de Virgínia, EUA.

Como a maioria dos jovens brasileiros, eu convivi desde cedo com a dúvida: “Devo investir no esporte e abdicar dos estudos? Ou devo investir nos estudos e abdicar do esporte?”. O que na época eu não sabia era que não necessariamente eu precisaria fazer essa escolha uma vez que eu terminasse o Ensino Médio. Pelo contrário, eu poderia optar em seguir com os dois de uma maneira muito mais desenvolvida e estruturada, em um país que investe e valoriza a combinação Estudos-Esporte como nenhum outro no mundo.

 

ESTADOS UNIDOS: UMA MÁQUINA FORMADORA DE ATLETAS COMPLETOS

Em algum momento da história, os Estados Unidos mataram a charada no processo de desenvolvimento de um atleta e isso o eternizou como potência mundial também nos esportes. A meu ver, eles largaram na frente há anos quando transformaram as UNIVERSIDADES em fábricas de atletas, investindo centenas de milhões de dólares em infraestruturas, bolsas esportivas e ligas universitárias altamente competitivas.

Não é à toa que dali saem muitas jogadoras profissionais: na seleção americana de futebol feminino campeã da Copa da França em 2019, por exemplo, 20 (vinte!) das convocadas tiveram em sua trajetória a experiência de jogar pela liga universitária. Megan Rapinoe, a grande revelação do Mundial (e não apenas pelo título conquistado), jogou pela University of Portland. Já Alex Morgan iniciou sua carreira como jogadora de futebol na University of California, em Berkeley.

Ao acreditar que aliar o esporte aos estudos faria com que seus atletas fossem diferenciados, eles acertaram em cheio, já que grande parte da qualidade de um profissional – seja no esporte ou em qualquer outra área – está vinculada à sua MATURIDADE. Maturidade que também vem de fora das quadras ou campos: vem dos desafios da vida, de saber lidar com as adversidades (nas suas inúmeras variações), da necessidade de resiliência que a vida em geral nos impõe e (adivinhem!) do desenvolvimento acadêmico em um sistema que preza pelo PROTAGONISMO.

 

VIABILIZANDO O FUTURO: O ESPORTE ABRE PORTAS PARA QUEM SE DEDICA

Fui para os EUA para adquirir uma formação de altíssima qualidade, uma experiência internacional, fluência no inglês, enfim, toda a bagagem que faz com que a maturidade que eu mencionei acima seja diferenciada em relação aos jovens que fazem faculdade no Brasil. Mas essa oportunidade nunca teria sido possível se não fosse pelo esporte, foi o meu nível esportivo, aliado ao acadêmico do Ensino Médio e meu inglês que viabilizaram uma bolsa de estudos para eu obter meu diploma internacional.

É por acreditar nesse poder do esporte como ferramenta de transformação e desenvolvimento que gera inúmeras oportunidades que sou parte da família Pelado Real e responsável pelo programa My College Goal, idealizado para preparar e assessorar as peladeiras que sonham em estudar e jogar nos Estados Unidos.

Lembrem-se: sair da nossa zona de conforto, aprender com nossos erros, com nossas derrotas, adaptar-se em diferentes lugares, valorizar as amizades, as pessoas, as diversidades, acreditar no coletivo, nos torna pessoas incríveis e únicas. Para vocês, Peladeiras, o futebol pode ser o caminho mais viável e divertido para se tornar uma mulher que fará a diferença no mundo. Conte com a gente para te ajudar a chegar lá!

Fernanda Luiz

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